Peso no bolso
Aumento da luz e gás traz preocupação aos pelotenses
Especialistas afirmam que a expectativa é que preços atuais devem ser mantidos
Carlos Queiroz -
Dois itens de primeira necessidade na cesta de consumo da população, a luz e o gás de cozinha (GLP) vêm dando dor de cabeça na hora de pagar a conta ou fazer a troca. Com um aumento de 45,18% no botijão de 13 quilos entre janeiro de 2019 e os dias atuais, e a escassez hídrica que o Brasil vem enfrentando e que está impulsionando o maior valor cobrado, comerciantes pelotenses vem sofrendo com os impactos dos altos gastos.
Um desses comerciantes é Eliezer Fuentes, do bairro Areal, que em dez anos de comércio nunca viu o lucro tão baixo. "Se entre R$ 5 mil, eu ganhasse R$ 1 mil, hoje eu estou ganhando R$ 500,00. Então para nós ficou muito complicado de conseguir trabalhar, mas mesmo assim a gente está diversificando", conta o empresário, que ampliou o restaurante para padaria também.
"Quem ajudou a montar a padaria foi o restaurante, mas hoje quem conseguiu segurar o restaurante foi a padaria, porque o fluxo lá [no restaurante] é das 11h às 14h, é pouco tempo para pagar o aluguel. Então a gente botou padaria, que abre das 7h às 20h, e no verão até as 22h", destaca.
Fuentes conta que se antes pagava R$ 120,00 no botijão de 45 quilos, hoje é necessário desembolsar R$ 350 em cada. "Eu gasto em torno de 12 desses por mês, o que dá em torno de quatro botijões a cada dez dias. Antes eu pagava em torno de R$ 600,00 a R$ 650,00, hoje eu estou pagando de R$ 1,2 mil a R$ 1,3 mil, o dobro de aumento", comenta.
Para reduzir os gastos, ele voltou a usar marmitex de alumínio. "Ao invés de aumentar o valor do produto para o cliente, nós reduzimos o custo, porque assim como nós fomos impactados, as pessoas também foram", diz.
Além dos dois tipos de estabelecimento, ele também deve abrir, nos próximos meses, um depósito de bebidas. "A gente sabe que vai melhorar, que uma hora tudo isso vai passar, que vai voltar ao normal, mas até acontecer isso a gente tem que ir se adaptando", acredita.
A economista Indrieza Curtinaz explica que o valor do GLP foi impactado pelo aumento de 37% no preço do petróleo neste ano. "Além disso, o que também afetou o preço do gás de cozinha foi a alta de 38% do dólar em 2021, motivada pelo cenário interno de instabilidade política e crise institucional", explica.
Segundo Indrieza, a expectativa é de que o preço deste produto não retorne ao que era antes. "As oscilações seguiram ocorrendo de acordo com o dólar e o petróleo, que tendem a aumentar, uma vez que a retomada da economia deve ser ainda maior nos próximos meses", complementa a economista.
A mesma visão tem o economista Eliézer Timm. "A escalada dos preços do gás está alicerçada pela instabilidade cambial e pela política adotada pela Petrobras em acompanhar a variação dos derivados de petróleo no mercado internacional. A retomada de crescimento da China em 2021 acentuou a escalada de várias comodities, entre elas o petróleo", aponta sobre a situação do produto, que já acumula 48% em 2021.
Nova tarifa na conta de luz a partir de hoje
Se a empresária Indiara Silva já estava preocupada com a dificuldade no pagamento da conta, a partir de hoje ficará ainda mais. O total na leitura da luz deve ser ainda mais pesado para o bolso. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou, nesta terça-feira (31), a criação de uma nova bandeira tarifária, chamada de "escassez hídrica", devido à gravidade da crise nas hidrelétricas. Com vigência a partir de quarta-feira (1º) até 30 de abril de 2022, a taxa extra é de R$ 14,20 pelo consumo de 100 kWh, substituindo o valor cobrado até então, de R$ 9,49 pela tarifa da bandeira vermelha 2.
Com quase dois anos de comércio no Simões Lopes, Indiara começou a desligar freezers que não estão sendo usados durante o inverno, além de usar apenas uma lâmpada em um suporte para duas. "Está bem difícil de pagar a luz, no começo a gente nunca atrasou a luz, hoje a gente atrasa, paga uma e fica outra para trás", desabafa.
Outra solução que a empresária viu foi mudar de prédio. Nos próximos dias, o minimercado vai passar para um outro prédio, na mesma rua, com aluguel mais barato. "Vale tudo para não fechar", ressalta.
"As principais bacias hidrográficas que abastecem as hidrelétricas passam por uma crise hídrica não vista há mais de 90 anos. E além disso, faltaram mais investimentos e incentivos em energias alternativas no Brasil, pois hoje aproximadamente 65% da energia elétrica gerada no país vem das hidrelétricas, compondo o restante em grande maioria pela eólica e solar. Depender de um único insumo elétrico acarreta riscos para a economia", alerta Timm.
Como conselho para não ficar no vermelho, Indrieza orienta: "é importante que os brasileiros busquem alternativas de economia desses recursos e que planejem seu orçamento com valores mais elevados para essas contas no final do mês, evitando surpresas e/ou o atraso no pagamento".
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